A Sexualidade Na Grécia Antiga

LESBIANISMO NA GRÉCIA ANTIGA
Segundo se sabe, foi na Grécia que surgiu a maior expressão da homossexualidade da civilização antiga, não apenas por ter a pederastia alcançado o status de instituição, levado, inclusive, de forma saliente, à reflexão filosófica, conforme já visto, mas, também, porque foi o local para a homossexualidade feminina, porém, esta menos falada, mas, sem dúvida, complementar a pederastia.
Neste contexto surgiu a preocupação grega a respeito do fenômeno das Amazonas, suposta tribo mulheres guerreiras e que teriam habitado às margens de um rio na Ásia Menor, cujas normas permitiriam relações heterossexuais tão somente uma vez por ano e para a procriação. Dos nascidos destas relações, as meninas eram mantidas na tribo e os meninos ou eram mortos ou enviados às tribos de seus pais, sendo que, a relação sexual era entre ás Amazonas, que, segundo os textos, tinham na prática homossexual uma origem religiosa, fundamentada na necessidade de desenvolver nessas mulheres guerreiras aquelas qualidades essencialmente consideradas masculinas.
Na ilha Lesbos, a poetisa Safo, constrói belos versos que glorificavam a homossexualidade feminina e dedicava suas estrofes a relação sexual mantida entre as mulheres. Safo era considerada a “Décima Musa” por Platão, inclusive teve a poetisa sua face estampada em moedas, em vasos, além de ser erguida uma estátua sua em ponto de destaque.
Segundo o filósofo Máximo de Tiro, tanto Safo quanto Sócrates tinham a mesma linha de pensamento, além de obras semelhantes, muito embora tivessem vivido em séculos diferentes, no entanto, Safo era reconhecida e elogiada por sua beleza por renomados como Platão e Sócrates, sendo que, grande parte de sua obra foi destruída pelos posteriores cristãos, que acreditavam tratar-se de grave ameaça à moralidade, da qual se intitulavam guardiões. Safo e suas alunas acabaram outorgando às moradoras da Ilha de Lesbos a fama de voluntariosas e sexualmente independentes, sendo que, este local ficou também conhecido como grande celeiro lírico. Em 1073, em Constantinopla, atual Istambul, o papa Gregório VII ordenou que todos os versos de Safo e de Alceu, também adepto dos versos alcaios, fossem queimados, sendo que, o que ainda teria restado foi perdido no incêndio da Biblioteca de Bizâncio em 1453.
PEDERASTIA
Na Grécia a relação sexual entre pessoas adultas do mesmo sexo não era comum, quando ocorria, era reprovada, principalmente entre dois homens, já que havia a grande preocupação com a questão da passividade. Um homem não podia ter complacências passivas com outro homem, menos ainda se esse homem fosse um escravo ou, então, de uma classe inferior. Conforme já falado retro, na era a pederastia excludente, pelo contrário, o fato do homem adulto ter esposa não era impedimento para também se relacionasse com um adolescente, tão pouco o fato de relacionar-se com um adolescente significava o fim do seu casamento, pois, a pederastia dificilmente alterava a imagem do homem perante a sociedade já que o amor ao belo, ao sublime e o cultivo da inteligência e da cultura não tinha sexo.
 
O que era condenável era a busca do sexo pelo sexo, além, é claro, do componente etário, já que a relação de pederastia incluía, entre outros, a questão do status social e, nesse sentido, deveria o homem ter ascendência intelectual, cultural e econômica sobre o adolescente, afinal, ele é quem deveria complementar a formação do jovem, iniciando-o nas artes do amor, no estudo da filosofia e da moral. Havia todo um ritual no envolvimento de aproximação do homem interessado por um adolescente, e a “corte”, para ser aceita pelo jovem, teria, necessariamente, de ser, além de bela, com moralidade, ou seja, teria que ser de acordo com os costumes de então, e os papéis desempenhados por ambos os amantes eram bem definidos, o erastes fazia a corte ao erômeno, que se deixava conquistar ou não.
O homem, ao cortejar, presenteava, prestava favores, ia ao ginásio ver o adolescente se exercitar, que geralmente se exercitava nu, praticava com ele os exercícios físicos até a exaustão, uma vez que já não mais possuía o mesmo vigor físico da juventude, enquanto, ao adolescente, por sua vez, deveria ser gentil e ao mesmo tempo por à prova o amor do pretendente. A conquista era incerta, pois caberia ao jovem a palavra final, pois, o que estava em jogo era a educação do futuro cidadão e toda conduta que evocasse excesso ou passividade entre o erastes e o erômeno, era considerada indigna, sem valor, podendo inclusive, no caso deste último, perder o “status” social que possuía. O eraste, “pedagogo”, “amante” ou “homem adulto” , como queiram, jamais poderia ser “passivo” na relação amorosa, e isso significava não poder ser penetrado, pressionado física ou moralmente a ceder os avanços sexuais do erômeno ou erômenes, ou de nenhum outro cidadão, muito menos de um escravo, ou, ainda, ser subordinado com presentes, promessas ou com dinheiro. A virilidade era reforçada, os atos dos amantes deviam ser comedidos, evitando exageros apaixonados, o prazer devia estar a serviço do cidadão da polis grega, já que a vida pública era destinada à política, ou seja, entre dois homens adultos, era impensável que se mantivesse contatos físicos, coito anal e manifestações apaixonadas, pois a pederastia era a forma mais nobre de amor entre os gregos, que deveria acabar logo que aparecesse no adolescente o primeiro sinal de virilidade, a primeira barba, que, em regra era por volta dos 17 ou 18 anos.
 
Com o advento da virilidade, a relação homossexual era reprovável, principalmente para o homem mais velho, pois, estaria se envolvendo com outro homem, e a pederastia era recomendada como louvável e praticada por toda a elite moral, intelectual, política, artística, guerreira e religiosa de uma sociedade culturalmente sofisticada como a grega.
Diante dos relatos que nos chega via textos e pesquisas e querer discriminar as relações homossexuais dos gregos com a visão de hoje do conceito da homossexualidade é, cair no erro crasso de nomear a pederastia grega de desvio de conduta, como hoje é vista a homossexualidade por juristas, médicos, psiquiatras, etc…, é cair no mesmo erro crasso de se pensar que na Antigüidade existia uma patologia ou um distúrbio sexual inerente dos desejos afetivos e sexuais do erastes e do erômeno, concebendo-os como seres desviantes, doentes, “perversos”, “degenerados”, de personalidade “anormal” e passíveis de cura, enfim, é taxar o desconhecido como algo abominável, o que, no mínimo é um erro imperdoável a pessoas teoricamente cultas.
 
ESCRAVOS E TIRANOS
 
Alguns autores dizem que Sólon, (c.640-c.558 a.C), grande legislador e considerado um dos sete sábios da Grécia, não resistia ao charme dos rapazes. Embora tenha criado importantes leis, como a que estimulava uma maior participação dos cidadãos pobres na vida política, lhes proporcionava mais acesso à justiça, também ele proibiu ao escravos de terem amantes, o que nos leva a pensar que não eram incomuns as relações homossexuais entre escravos e homens livres, pois, dado a situação de escravo estava este sujeito a ser “usado” a critério de seu “dono”. Se o amor o amor é cego, como dizem, talvez tenha sido esta a explicação para a maleabilidade de Sólon, praticamente o responsável pela instituição da democracia em Atenas frente aos atos tirânicos de seu parceiro, Pisístrato, que teria usurpado o poder em 561 a.C, mas foi deposto duas vezes, em 556 e 552 a.C., porém, em 538 novamente Atenas estava sob a guarda dele. Muitos alegam que Sólon poderia ter agido com maior austeridade para coibir os abusos do amado, o que não aconteceu, preferiu apenas abandonar o tirano Pisístrato, que por sua vez, foi consolar-se nos braços de Carmo e a quem Pisístrato dedicou à estátua de Eros da Academia de Filosofia, onde era acesa a chama sagrada.
 

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O Escritor Plutarco, que viveu entre 46 ou 49-125 d.C., em várias cidades gregas o tiranicídio teria sido resultado da intervenção dos governantes nas relações homossexuais dos cidadãos envolvidos em revoltas contra o poder. Na época de Aristóteles, a tumba do legislador Filolau, o Coríntio, e de Diocles, atleta olímpico virou ponto turístico. O casal teria vivido junto em Tebas, onde foram enterrados juntos, como era tradição. Outro costume da época era a exposição, literalmente, do amor, onde o amante apaixonado escrevia o nome do seu amor em paredes, árvores e muros, sendo isto o que fez Fídias, um dos maiores escultores gregos, que teria gravado o nome do namorado no dedo da estátua de Zeus em Olímpia: “Belo Pantárquio”.

 
Muitos dos relacionamentos amorosos tinham início nas aulas de ginástica nas quais homens e mulheres praticavam exercícios totalmente nus, e, conforme já dito anteriormente, em Esparta e em Cre ta o amor entre os soldados era parte fundamental da educação militar, também entre os macedônios o amor grego também teve muitos adeptos, como por exemplo, o amor vivido por Alexandre, o Grande (356-323 a. C) e seus grandes amores, Hefestião e o eunuco Bágoas, sendo que, por ocasião da morte de Hefestião Alexandre foi tomado pelo desespero, ficando três dias sem nada comer, cortou os cabelos e decretou luto oficial, preparando, ainda, um funeral majestoso e dirigindo ele próprio a carruagem fúnebre. Se somente isto não bastasse, mandou cortar as crinas dos cavalos e das mulas e demolir as seteiras das muralhas das cidades a fim de que parecesse que até as muralhas mostravam luto.
 
Alexandre, embora nunca tenha abandonado o eunuco Bágoas, casou-se com uma prisioneira persa, Roxana.
Doutorsexo’s: Resumo: A putaria já vem de lonje

2 comentários sobre “A Sexualidade Na Grécia Antiga

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